segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Coisas estranhas para um Calango na Neve

E aí negrada, sentiram minha falta?

Então, este post é dedicado para as pessoas curiosas. Aquelas pessoas que necessitam saber (de verdade) como é VIVER em Calgary City, e as diferenças que existem.

Recentemente eu escrevi estes apontamentos para uns amigos, também calangos (cearenses), que estão vindo em Abril. São coisas pequenas do dia a dia, mas que fazem muita diferença. Aqui vão algumas:

1. As temperaturas são muito doidas aqui. Podem ir de 14 graus positivos â 14 graus negativos no mesmo dia. Então convém estar preparado com roupas de frio sempre. Eu me organizo com as roupas de acordo com a temperatura.

Ex.: Se está fazendo de 10 graus positivos até menos 10 eu uso uma calça térmica, uma calça normal, uma camiseta, dois suéteres (as vezes 3) e uma jaqueta resistente ao frio. Se faz menos que 10 graus negativos eu aumento uma calça termica e mais um suéter....


2. Eu produzo muito suor nas mãos e nos pés, mesmo no frio. Dessa forma eu sempre estou sentindo frio nestas duas partes do meu corpo. Pra dormir uso 2 meias e continuo sentindo frio entre os dedos... Se alguém aí for como eu, se prepara.


3. Já deu pra perceber o frio né? Mas mesmo assim aqui é doido, tem dias que faz  -6° e tu se sente super aquecido, e tem dias que faz 10° com sensação térmica de -20°. De toda forma, eu me acostumei a aquecer em aula e fazer de tudo pra suar. Aqui é diferente, porque até o suor é gelado. então eu levo duas vezes mais tempo pra aquecer e mesmo assim, fico aquecido por dentro mas suor é frio. 


4. Todo mundo ensaia com sapatilha de jazz ou running tênis. Você não vê ninguém de pé descalço, raramente só de meia. Unica aula que fazemos de pé descalço é a de Danças Africanas. Tive que me preparar psicologicamente pra viver com os pés dentro de um sapato.


5. Pra quem nunca andou com o gelo derretendo aqui vai uma dica: ande como se tivesse patinando no gelo.Tô falando muito sério, já levei 4  quedas nessa chibata.


6. É costume sempre a negrada levar o almoço pro trabalho (e mais barato também), porque comida é muito cara em restaurantes. Mas sempre tem os fast food da vida que salvam, e a sede da escola é bem no centro das ruas mais badaladas e perto de tudo que é canto. Tu pode escolher entre comida chinesa, mediterrânea, italiana, americana, indiana, mexicana, etc. Mas o unico restaurante brasileiro daqui é no extremo sul da cidade e é de um gaucho, então é tudo baseado no churrasco. Mas todos os restaurantes que fui tem opção vegetariana, inclusive o McDonalds (leiam isso donos de restaurantes).


7. Não se assustem se vocês não encontrarem cesto de lixo nos banheiros ao lado do vaso sanitário. O costume aqui é jogar o papel higiênico no vaso e dar descarga. Sim isso é muito estranho (pelo menos pra mim).


8. Muito difícil encontrar Farinha, Goma de tapioca  e Cachaça. Quem por ventura vier por estas bandas,tragam pra mim, estou implorando (pela óstia consagrada!!!!!)...


9. Ter que "se montar" pra ir na budega da esquina é um saco, mas é necessário. Tem que passar por isso. Coloca várias roupas pra sair, tira todas ela no local de destino (inclusive os sapatos), repõe pra voltar pra casa e tira quando chega em casa. Isso me dá preguiça de sair de casa nos fins de semana muito frios.....


10. Só a titulo de informação: Na regulamentação brasileira todos temos direito a viajar com até 2 malas com 32kg cada mais a bagagem de bolso (mochila/bolsa) e essa não pode ter mais que 12kg eu acho (não lembro). Vocês podem trazer até 2 litros de alguma bebida (mas em garrafas de plastico, eu trouxe 4 celulares de ypioca limão), até 2 kg de algum alimento não perecível (eu trouxe farinha de tapioca). Perfumes, cremes, pasta de dente, essas coisas não podem passar de 100 ml. A polícia federal não deixa passar objetos cortantes (tipo tesoura de unha) e nem tóxicos (tipo desodorante spray).


11. A cidade é super tranquila, com um indice de 13 assaltos/mês e são assaltos grandes (a estabelecimentos). O centro da cidade parece um centro de megalópoles, mas se tu andar pelos bairros vai ver que é tudo muito distante (inclusive de uma casa pra outra). As festas só duram até as 2h da madruga então a negrada começa a beber assim que sai do trabalho que é pra garantir a diversão. Muito comum as pessoas estarem usando ipod, tablet, smartphones nas paradas de onibus enquanto esperam o busão.


12. Aqui é super seco. Me sinto a Xuxa na propaganda do Monange. Sério, e se não tomar cuidado os lábios racham e se partem. Os meus até arderam porque eu não tava passando nada no labio.... Assim eu passo hidratante e protetor labial para o frio.


13. Tem um super brechó aqui que vocês encontram de tudo (até cueca), coisas boas, de marca (pra quem tem interesse) e barata. Comprei um casaco de frio muito bom por 14 dólares. Sempre compro roupas lá pq adoro coisas usadas.... Chama Value Village.


14. A cidade tem muita gente da China, Filipinas,Vietnã, India, Cuba, Guiné, Nigéria e Libéria.... Mas os asiáticos reinam aqui. Geralmente eles são donos de lojas de comida, os indianos são taxistas. Sabe aquele cara parrudo, cabelo loiro grande e barbudo que tem cara de psicopata ou de um possível serial killer? Pois é, aqui ele é só o Motorista de Onibus. Da mesma forma aquela menina toda tatuada, cheia de piercings e com cabelo colorido que só encontraria emprego na Chilli Beans, aqui ela é uma secretária no Hospital, num café....  super normal. "Festa estranha com gente esquisita" este é o termo que um amigo dá pra esta cidade. Eu particularmente adoro.


Vou ficando por aqui porque este post já tá imenso. Xeros na alma.

R.


sábado, 17 de janeiro de 2015

Recuperando o tempo perdido: Year of the Horse

Oi negrada,

Desculpas imensamente pela demora. Muita coisa aconteceu, dentre elas eu não ter tido tanto tempo, ou não estar inspirado ou mesmo o meu laptop que não prestava.

Vou falar neste post de como foi a temporada do Year of the Horse, meu primeiro espetáculo com a Decidedly Jazz Danceworks.

Foram três meses de intensidade com  o aprender. Sobre a cidade, sobre o jazz feito na companhia, sobre o próprio inglês (que eu não sabia quase nada e tinha medo dizer as coisas erradas). Audrey e Sarisa foram de total importância para o meu entrosamento com toda a Escola e Cia, e para que eu compreendesse tudo da melhor forma possível. Rezo até hoje pelas duas, são amigas que levarei pra toda a vida. Nessa época eu ainda não me sentia muito capaz de fazer as coisas sozinho, não fazia outras aulas, não me misturava muito e tentava ao máximo entender tudo sem precisar de ajuda. Muitas vezes eu enlouquecia e me sentia triste por pensar na possibilidade de não estar dando conta de tudo. 
Mas os resultados chegam para quem tem espírito de aventura, alma mochileira e adora desafios. Em três meses eu quase não pedia mais ajuda para entender o que eles estavam dizendo. É como todo mundo me disse antes: Com a convivência você acaba aprendendo bem mais rápido e depois de um tempo é como se o seu ouvido destampasse para o entendimento. No que diz respeito à dança feita na DJD todos estavam admirados com a rapidez que eu pego sequências e me empodero delas... Faltava entender  o "feeling" e esse só vem com o tempo e com a experienciação repetitiva. Mas deu tudo certo, fui muito elogiado pelo publico, pelos bailarinos e pela escola (Na dança e no inglês).
Nesse tempo eu consegui uma casa com 4 meninos e nós 5 dividimos o aluguel, comida e atividades do lar. É um pouco longe do trabalho, segundo o pessoal da Cia, mas eu sempre fui acostumado a morar na periferida de Fortaleza e me deslocar para todo o resto da cidade. Moro perto do aeroporto e levo cerca de 35 minutos para chegar ao trabalho. Para mim isso é bem menos do que costumava levar para ir na UFC todos os dias. Enfim, abaixo tem algumas informações do primeiro trabalho e eu juro que vou tentar ser mais presente por aqui. Por favor me amem....

R.

Sobre o trabalho:

YEAR OF THE HORSE
7-15, NOVEMBRO, 2014
THEATRE JUNCTION GRAND

DJD começou sua temporada 2014-15 com o Year of the Horse, the completely fictional adventures of Josephine Baker, que ocorreram a partir de 07-15 novembro de 2014 no teatro Grand Junction. Com oito bailarinos, três músicos e oito cavalos mecânicos, Kimberley Cooper, coreógrafa e diretora artística da DJD, criou uma fantasia de ficção em um erótico cenário de outro mundo exótico. "Eu tenho interesse na idéia de Josephine Baker por algum tempo", diz Cooper. "Ela era um ícone da dança jazz, brilhante e uma pessoa interessante e inspiradora. No ano passado, a artista visual Lisa Brawn me disse que ela estava comprando uma coleção de cavalos mecânicos, do tipo que você colocava uma moeda e montava, no shopping quando você era pequeno. Eu caí no amor com a idéia de Josephine Baker em toda o seu fisico descontrolado, sexual, mas cômico, sobrevivência louca, gloriosa e instintiva dançando em uma paisagem cheia desses pôneis. Josephine nasceu no ano do cavalo por isso tudo parecia se encaixar. A produção final vai apresentar ao público uma experiência totalmente nova de jazz. Ele vai ser abstrato, de sonho e não-linear "A música é jazz original e contemporânea tocada ao vivo por um trio de piano:. Rubim de Toledo (compositor e baixista), Chris Andrew (compositor e piano), e Johathan McCaslin (bateria). A produção apresenta oito bailarinos: Rodney Diverlus, Audrey Gaussiran, Marc Hall, Catherine Hayward, Shayne Johnson, Natasha Korney, Rubéns Lopes, e Dinou Marlett-Stuart. Trajes foram criados por Natalie Purschwitz, influenciada pelo olhar de Josephine Baker em 1920 e iluminação foi projetada por Wladimiro A Woyno Rodriguez.


Nas mídias da cidade:





No YouTube:

e também este



Este é o cartaz do trabalho: