segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Coisas estranhas para um Calango na Neve

E aí negrada, sentiram minha falta?

Então, este post é dedicado para as pessoas curiosas. Aquelas pessoas que necessitam saber (de verdade) como é VIVER em Calgary City, e as diferenças que existem.

Recentemente eu escrevi estes apontamentos para uns amigos, também calangos (cearenses), que estão vindo em Abril. São coisas pequenas do dia a dia, mas que fazem muita diferença. Aqui vão algumas:

1. As temperaturas são muito doidas aqui. Podem ir de 14 graus positivos â 14 graus negativos no mesmo dia. Então convém estar preparado com roupas de frio sempre. Eu me organizo com as roupas de acordo com a temperatura.

Ex.: Se está fazendo de 10 graus positivos até menos 10 eu uso uma calça térmica, uma calça normal, uma camiseta, dois suéteres (as vezes 3) e uma jaqueta resistente ao frio. Se faz menos que 10 graus negativos eu aumento uma calça termica e mais um suéter....


2. Eu produzo muito suor nas mãos e nos pés, mesmo no frio. Dessa forma eu sempre estou sentindo frio nestas duas partes do meu corpo. Pra dormir uso 2 meias e continuo sentindo frio entre os dedos... Se alguém aí for como eu, se prepara.


3. Já deu pra perceber o frio né? Mas mesmo assim aqui é doido, tem dias que faz  -6° e tu se sente super aquecido, e tem dias que faz 10° com sensação térmica de -20°. De toda forma, eu me acostumei a aquecer em aula e fazer de tudo pra suar. Aqui é diferente, porque até o suor é gelado. então eu levo duas vezes mais tempo pra aquecer e mesmo assim, fico aquecido por dentro mas suor é frio. 


4. Todo mundo ensaia com sapatilha de jazz ou running tênis. Você não vê ninguém de pé descalço, raramente só de meia. Unica aula que fazemos de pé descalço é a de Danças Africanas. Tive que me preparar psicologicamente pra viver com os pés dentro de um sapato.


5. Pra quem nunca andou com o gelo derretendo aqui vai uma dica: ande como se tivesse patinando no gelo.Tô falando muito sério, já levei 4  quedas nessa chibata.


6. É costume sempre a negrada levar o almoço pro trabalho (e mais barato também), porque comida é muito cara em restaurantes. Mas sempre tem os fast food da vida que salvam, e a sede da escola é bem no centro das ruas mais badaladas e perto de tudo que é canto. Tu pode escolher entre comida chinesa, mediterrânea, italiana, americana, indiana, mexicana, etc. Mas o unico restaurante brasileiro daqui é no extremo sul da cidade e é de um gaucho, então é tudo baseado no churrasco. Mas todos os restaurantes que fui tem opção vegetariana, inclusive o McDonalds (leiam isso donos de restaurantes).


7. Não se assustem se vocês não encontrarem cesto de lixo nos banheiros ao lado do vaso sanitário. O costume aqui é jogar o papel higiênico no vaso e dar descarga. Sim isso é muito estranho (pelo menos pra mim).


8. Muito difícil encontrar Farinha, Goma de tapioca  e Cachaça. Quem por ventura vier por estas bandas,tragam pra mim, estou implorando (pela óstia consagrada!!!!!)...


9. Ter que "se montar" pra ir na budega da esquina é um saco, mas é necessário. Tem que passar por isso. Coloca várias roupas pra sair, tira todas ela no local de destino (inclusive os sapatos), repõe pra voltar pra casa e tira quando chega em casa. Isso me dá preguiça de sair de casa nos fins de semana muito frios.....


10. Só a titulo de informação: Na regulamentação brasileira todos temos direito a viajar com até 2 malas com 32kg cada mais a bagagem de bolso (mochila/bolsa) e essa não pode ter mais que 12kg eu acho (não lembro). Vocês podem trazer até 2 litros de alguma bebida (mas em garrafas de plastico, eu trouxe 4 celulares de ypioca limão), até 2 kg de algum alimento não perecível (eu trouxe farinha de tapioca). Perfumes, cremes, pasta de dente, essas coisas não podem passar de 100 ml. A polícia federal não deixa passar objetos cortantes (tipo tesoura de unha) e nem tóxicos (tipo desodorante spray).


11. A cidade é super tranquila, com um indice de 13 assaltos/mês e são assaltos grandes (a estabelecimentos). O centro da cidade parece um centro de megalópoles, mas se tu andar pelos bairros vai ver que é tudo muito distante (inclusive de uma casa pra outra). As festas só duram até as 2h da madruga então a negrada começa a beber assim que sai do trabalho que é pra garantir a diversão. Muito comum as pessoas estarem usando ipod, tablet, smartphones nas paradas de onibus enquanto esperam o busão.


12. Aqui é super seco. Me sinto a Xuxa na propaganda do Monange. Sério, e se não tomar cuidado os lábios racham e se partem. Os meus até arderam porque eu não tava passando nada no labio.... Assim eu passo hidratante e protetor labial para o frio.


13. Tem um super brechó aqui que vocês encontram de tudo (até cueca), coisas boas, de marca (pra quem tem interesse) e barata. Comprei um casaco de frio muito bom por 14 dólares. Sempre compro roupas lá pq adoro coisas usadas.... Chama Value Village.


14. A cidade tem muita gente da China, Filipinas,Vietnã, India, Cuba, Guiné, Nigéria e Libéria.... Mas os asiáticos reinam aqui. Geralmente eles são donos de lojas de comida, os indianos são taxistas. Sabe aquele cara parrudo, cabelo loiro grande e barbudo que tem cara de psicopata ou de um possível serial killer? Pois é, aqui ele é só o Motorista de Onibus. Da mesma forma aquela menina toda tatuada, cheia de piercings e com cabelo colorido que só encontraria emprego na Chilli Beans, aqui ela é uma secretária no Hospital, num café....  super normal. "Festa estranha com gente esquisita" este é o termo que um amigo dá pra esta cidade. Eu particularmente adoro.


Vou ficando por aqui porque este post já tá imenso. Xeros na alma.

R.


sábado, 17 de janeiro de 2015

Recuperando o tempo perdido: Year of the Horse

Oi negrada,

Desculpas imensamente pela demora. Muita coisa aconteceu, dentre elas eu não ter tido tanto tempo, ou não estar inspirado ou mesmo o meu laptop que não prestava.

Vou falar neste post de como foi a temporada do Year of the Horse, meu primeiro espetáculo com a Decidedly Jazz Danceworks.

Foram três meses de intensidade com  o aprender. Sobre a cidade, sobre o jazz feito na companhia, sobre o próprio inglês (que eu não sabia quase nada e tinha medo dizer as coisas erradas). Audrey e Sarisa foram de total importância para o meu entrosamento com toda a Escola e Cia, e para que eu compreendesse tudo da melhor forma possível. Rezo até hoje pelas duas, são amigas que levarei pra toda a vida. Nessa época eu ainda não me sentia muito capaz de fazer as coisas sozinho, não fazia outras aulas, não me misturava muito e tentava ao máximo entender tudo sem precisar de ajuda. Muitas vezes eu enlouquecia e me sentia triste por pensar na possibilidade de não estar dando conta de tudo. 
Mas os resultados chegam para quem tem espírito de aventura, alma mochileira e adora desafios. Em três meses eu quase não pedia mais ajuda para entender o que eles estavam dizendo. É como todo mundo me disse antes: Com a convivência você acaba aprendendo bem mais rápido e depois de um tempo é como se o seu ouvido destampasse para o entendimento. No que diz respeito à dança feita na DJD todos estavam admirados com a rapidez que eu pego sequências e me empodero delas... Faltava entender  o "feeling" e esse só vem com o tempo e com a experienciação repetitiva. Mas deu tudo certo, fui muito elogiado pelo publico, pelos bailarinos e pela escola (Na dança e no inglês).
Nesse tempo eu consegui uma casa com 4 meninos e nós 5 dividimos o aluguel, comida e atividades do lar. É um pouco longe do trabalho, segundo o pessoal da Cia, mas eu sempre fui acostumado a morar na periferida de Fortaleza e me deslocar para todo o resto da cidade. Moro perto do aeroporto e levo cerca de 35 minutos para chegar ao trabalho. Para mim isso é bem menos do que costumava levar para ir na UFC todos os dias. Enfim, abaixo tem algumas informações do primeiro trabalho e eu juro que vou tentar ser mais presente por aqui. Por favor me amem....

R.

Sobre o trabalho:

YEAR OF THE HORSE
7-15, NOVEMBRO, 2014
THEATRE JUNCTION GRAND

DJD começou sua temporada 2014-15 com o Year of the Horse, the completely fictional adventures of Josephine Baker, que ocorreram a partir de 07-15 novembro de 2014 no teatro Grand Junction. Com oito bailarinos, três músicos e oito cavalos mecânicos, Kimberley Cooper, coreógrafa e diretora artística da DJD, criou uma fantasia de ficção em um erótico cenário de outro mundo exótico. "Eu tenho interesse na idéia de Josephine Baker por algum tempo", diz Cooper. "Ela era um ícone da dança jazz, brilhante e uma pessoa interessante e inspiradora. No ano passado, a artista visual Lisa Brawn me disse que ela estava comprando uma coleção de cavalos mecânicos, do tipo que você colocava uma moeda e montava, no shopping quando você era pequeno. Eu caí no amor com a idéia de Josephine Baker em toda o seu fisico descontrolado, sexual, mas cômico, sobrevivência louca, gloriosa e instintiva dançando em uma paisagem cheia desses pôneis. Josephine nasceu no ano do cavalo por isso tudo parecia se encaixar. A produção final vai apresentar ao público uma experiência totalmente nova de jazz. Ele vai ser abstrato, de sonho e não-linear "A música é jazz original e contemporânea tocada ao vivo por um trio de piano:. Rubim de Toledo (compositor e baixista), Chris Andrew (compositor e piano), e Johathan McCaslin (bateria). A produção apresenta oito bailarinos: Rodney Diverlus, Audrey Gaussiran, Marc Hall, Catherine Hayward, Shayne Johnson, Natasha Korney, Rubéns Lopes, e Dinou Marlett-Stuart. Trajes foram criados por Natalie Purschwitz, influenciada pelo olhar de Josephine Baker em 1920 e iluminação foi projetada por Wladimiro A Woyno Rodriguez.


Nas mídias da cidade:





No YouTube:

e também este



Este é o cartaz do trabalho:

sábado, 20 de setembro de 2014

1ª semana na Decidedly Jazz Danceworks

Então negradinha da minha vida, aqui e tudo muito novo pra mim e dessa forma este post vai se restringir a minha primeira semana no trabalho. E no próximo escrevo sobre as minhas impressões da Calgary City.


Cheguei aqui na sexta,  12 de setembro, mais ou menos ao meio dia e meio. Fui direto para a sede da DJD. Conheci a galera toda e conheci neste dia também a bailarina [Audrey] que me abrigou na casa dela ate o dia 27. Fiquei sabendo que vamos dançar com cavalos mecânicos, fiquei instigado. Olhei o ensaio e já fui atras de pegar coreografia [sabe como e né]. Kim me deu carta branca para parar sempre que eu estiver cansado. A todo momento ela falava pra eu ter cuidado por causa do clima daqui [super seco e tem bem menos oxigênio que em fortaleza por causa da elevação e das montanhas próximas]. O ensaio seria externo porque os cavalos estavam num parque, mas o tempo não ajudou [fazia uns 9 graus], então voltamos para a escola. Depois do ensaio fomos tomar uma cerveja no bar perto da DJD [Audrey me falou que e costume da galera sair nas sextas pra tomar algo depois do trampo, super amei já].

Como neste dia não foi valendo, minha semana começa realmente agora e deste jeito:

Segunda

9h  - Academia  [a hora de ficar gostoso e  agora, corre nêgo vei] 
10:30 - Intervalo para ir a DJD e lanchar [super perto da Gym pra DJD]
11h - Aula de Ritmos Africanos
           Sobre esta aula o que tenho a dizer e que EU AMEEEEEEEIIIIIIIII. Profa massa com o axe la em cima. Mas eu não consegui fazer a aula toda, fiquei com falta de ar do meio pro fim [como eu disse: o lance do oxigênio]. Quem me conhece  sabe que fazer uma aula pela metade ou fazer sem ser pra valer não e do meu feitio. Frustração define. Sentei umas 4 vezes com falta de ar, mas deu certo. Tudo o que eu consegui fazer foi por inteiro.
12:30 - Almoço
13:30 - Ensaio
       Desta vez com cavalos, mas foi tranquilo, apesar de eu ainda estar sobre o efeito da aula. Comecei a pegar algumas sequencias. Audrey falou que a cia tem costume de marcar e  só fazer valendo quando Kim pedir [uma tortura pra mim,  mas vou precisar me acostumar senão vou ganhar uma asma em dois tempos]. Nos somos em 8 bailarinos, 4 meninos e 4 meninas. De novo tem eu e Rodney [que chegou uma semana antes de mim]. Todos são gente muito fina, super acolhedores e são realmente uma familia.

Terça

  9h - Fitness Table     
         [Oi!!!!!!   Que diabo e fitness table negrada? Essa foi a primeira coisa  na cabeça do nêgo. Se você também se perguntou isso, tai o link] Em resumo e algo parecido com Pilates, só que em cima de  uma  mesa. Uma parada pra correção postural.
11h - Modern Jazz
         Pensei que seria de boa por já conhecer Dança Moderna e já conhecer Jazz [doce ilusão deste calango que vos fala]. Mas consegui fazer a aula toda e isso e um avanço para o segundo dia. Me enrolei com a contagem dos exercícios, mas a aula e linda [como não lembrar do Nilton, do Marcio, da Lucinha e do Fabio!!!?] As diagonais são de vera viu!!!!
13:30 - Ensaio

Quarta

9h - Gym
11h - Ballet
        Hoje tinha marcado com a Sarisa [assistente de  direção da DJD] de irmos na Embaixada de Calgary para que eu possa fazer meu SIN [algo parecido com o cartão cidadão ai em Fortal City], pois  sem ele eu não poderia receber dinheiro algum. Descobri que não posso estudar a menos que tenha uma autorização e um pedido para estudo. Passamos 1:30h esperando.Fui atendido por um indiano.

13:30 - Ensaio

Quinta

9h - Gym
11h - Improvisação em Jazz
        Geeeennnnttiiieeeeee do céu que aula boa da porra!!!! Quem conduz e a Diretora Geral da DJD. ela usou alguns dispositivos com a gente, tipo animais e texturas de movimentação, com musicas de  jazz. Deu vasão para que os encontros acontecessem e para os desdobramentos destes encontros. ao fim da  aula nos conversamos sobre as sensações e/ou limitações. Uma das poucas coisas que eu consegui entender [porque meu inglês e péssimo] foi:  E tudo sobre insistir. Insistir e também no que consiste a improvisação.

13:30 - Ensaio
         Extraordinariamente hoje não tivemos ensaio. Fomos na Alberta College of Arts + Design para um momento com a Rosario Sammartino. A gata e só alguém que trabalha com a Anna Halprin e ia fazer umas oficinas aqui, mas não conseguiu passar na fronteira EUA/Canada. Fizemos tudo via skype [porque tecnologia e tudo na vida!]. Dai quem vai fazer este trabalho e nada mais nada menos que a minha anfitriã, Audrey. Sera no sábado pela manhã.

Sexta

9h - Gym
       Hoje  eu consegui me virar sozinho na recepção e fiz meu cartão da Heaven. Audrey foi para o Yoga.
11h - Ballet
       Acho que pela primeira vez eu não me senti tão ruim numa aula desde que cheguei aqui. Talvez porque o Ballet e Ballet em qualquer canto da face da terra, porque o tempo e sempre parecido. Mas percebi o quanto estou frágil numa aula intermediaria. Lembrei demais dos meus professores do Curso Tecnico em Danca e das correções. a galera disse que a aula de sexta e sempre mais puxada [mas e super dançada]. Audrey falou que sou bom. Enfim, um pouco mais feliz.
13:30 - Ensaio
         Um pouco antes me reuni com Sarisa e Kim para que elas me explicassem as regras dos dançarinos e as datas de espetáculos e tudo. Fiz questão de que tudo fosse dito em inglês e entendi muita coisa, pouco falamos português.


Sobre as aulas: Todas [com exceção do jazz] são com musica ao vivo. Minha gente e outra coisa viu!!!  O nêgo se esbalda na aula de Afro, e se sente dançando na aula de Ballet. Aula de improvização e uma delicia!!! E a de Jazzpion também.

Sobre os Ensaios: Tudo acontece com tranquilidade. A maioria dos dançarinos estão na DJD a, pelo menos, 3 anos. Existe família, alegria, sinceridade, compartilha e gentileza aqui. Tudo muito diferente de  como a dança se da em Fortaleza [e no Brasil], talvez por isso a tranquilidade e segurança com que as relações são construídas e firmadas. Ja aprendi muita coisa, a galera disse que estou me adaptando super bem para a primeira semana e que pego coisas rápido.

Enfim negradinha, ta enorme já essa postagem. Vou-me por aqui. Beijo na alma.

 
Eu e Kim na sexta em que cheguei.

 
Eu e Audrey indo fazer compras.
 
Sala de ensaio...
 

Na entrada da DJD.
 
Se joga nos horses...
 
Vista daqui do Ap da Audrey.

 
O outono chega em Calgay City.







domingo, 14 de setembro de 2014

Falando sobre a viagem

Então negradinha da minha vida, como vocês estão?

Ja cheguei na cidade de Calgary. Então numa escala de conexões minha viagem ficou assim:

11 de setembro: Fortaleza - São PauloHora da saída: 13:45Hora da chegada: 17:05



Tinha sido orientado a ir no guichê da linha aérea e apresentar meu numero de referencia do voo, então fui la, a moca me deu um papel e fui fazer o check in. O cara me falou que possivelmente eu tivesse que pegar a mala em São Paulo e levar comigo no próximo check já que eu estaria trocando de empresa aérea. Tudo bem...
Enquanto minha mãe estava na fila do check in (que estava enooooorrrrrrme) eu fui tratar de trocar o meu rico dinheirinho. Minha primeira frustração, pois 300 reais só são 120 dólares canadenses. Nessa hora eu ainda tava tranquilo e tava com minha mãe, conversamos um pouco e quando me dei conta já estavam anunciando meu nome no aeroporto: "Por favor Sr. Rubens comparecer com urgência ao portão de embarque." eu quase enlouqueci e minha mãe do outro lado arregalou os olhos mandando eu correr. Enfim, como só faltava eu entrar pude escolher qualquer cadeira vaga no avião. Voei de GOL, a aeromoça foi UO mas eu sobrevivi. Eles não dão nem um pingo de água de graça.

11 de setembro: São Paulo - Toronto
Hora da saída: 20:00

Hora da chegada: 06:00
Por uma questão de precaução, assim que eu cheguei tratei logo de fazer check in e ir pra perto do portão de embarque e avisar pro povo de casa via facebook. Estava com medo de não conseguir mais conexão pois meus dois números são de Fortal City. Na hora de esperar a suposta bagagem, passei uma hora na frente daquela esteira. Depois descobri que ela já tinha ido pro outro avião. Tudo bem, estava com coisas mais preocupantes na cabeça.
Tinha guardado um dinheiro em reais para jantar aqui, mas fiquei passado em Cristo com os valores. Comi 3 pães de queijo, um suco e uma maca (acreditem, deu 30 reais). Sem contar no nível de lojas que eles tem do lado dos embarques internacionais. Geeeeeennnnnntchiiiieeeee   o que e aquilo?!!!! Muita joia, muito ouro, ichalaaaahhhh!!!!!
Na hora de embarcar me deu um pouco de medo, o coração acelerou (afinal eu estava deixando o pais, e com ele a língua, os costumes e as pessoas que eu conhecia). Estava morrendo de medo de chegar em Toronto e a imigração me deportar de volta. Li que eles eram muito exigentes e não deixavam nenhuma brecha, mas eu já tinha passado por muita coisa nesse processo (o que era um policial na minha frente fazendo perguntas!!!). 
Dentro do avião eu sentei perto de uma senhora super simpática. não perguntei o nome dela, mas nos fomos conversando a viagem inteira, e foi ótimo porque rimos muito entre filmes, soneca, eu escutando radio, ela falando da vida dela, preencher um documento todo em inglês ou francês e tentar me comunicar com os comissários de bordo. Onde a senhora estiver, eu quero agradecer por ter tornado minha viagem bem mais agradável (rezei muito pela senhora). Voei de Air France, comi muito (teve um jantar e um cafe da manha) e era tudo gratuito. 

12 de setembro: Toronto - Calgary
Hora da saída: 09:00
Hora da chegada: 12:00  

Saindo do avião a gente vai direto para a imigração, onde eles vão perguntar algumas coisas e entregar um documento (no meu caso). Eu não entendia quase nada do que eles falavam (porque falam muito rápido e porque tinha muitas palavras que eu não sabia). Quando ele riscou o documento que eu preenchi no avião e me mandou pra outro canto eu gelei... Depois descobri que era só pra passar por um detalhamento nas perguntas, afinal eu não estava como turista. Nesta sessão eles chamaram a Gloria pra me ajudar (a coitada e sozinha pra traduzir pro espanhol em 10 guichês, e a pobi rea fica em pé rodando de um pro outro). Ele grampeou um papel no meu passaporte e disse que era pra eu fazer o numero social (um numero parecido com o cartão cidadão) pois sem esse numero eu não poderia receber o meu salario. 
De la fui pegar minha mala e despachar em outro avião para ir pra Calgary. Eu já tava relaxado a essa hora. Tratei de reconhecer o aeroporto, fazer check in, ir direto pra perto do portão de embarque e comunicar-me pelo facebook. Em Toronto o fuso horário e de 1h em relação ao Brasil. Percebi que muitos negros trabalham no aeroporto de Toronto, e que muitos orientais vão pra Calgary.

Chegando em Calgary
Cheguei tranquilamente. Sarisa (assistente de direção da DJD) estava me esperando junto com sua filha menor e fomos pras esteiras buscar a mala. Depois de quase 30 minutos e eu começando a me desesperar (internamente obvio. Vai que a mala tinha sido extraviada!), Sarisa conversou com um funcionário e descobrimos que a minha mala tinha chegado antes de mim em outro voo.

Fui direto para a sede da DJD, enviei sinal de fumaça pelo facebook. Almocei e já fui ver o ensaio. Conheci todo mundo, inclusive a Audrey (que me cedeu lugar na sua casa e me atura todo dia ate o dia vinte e sete),  Kim perguntou se eu estava cansado e eu disse que queria aprender já. Troquei de roupa e já fui trabalhar.


Mas com relação a isso eu escreverei no próximo post.



Bjo, me liga.  


terça-feira, 9 de setembro de 2014

E lá vamos nós!!!



Então minha gente, olha eu aqui novamente. Vou fazer um breve (não tão breve) histórico das coisas desde que deixei de postar.Naquele dezembro do ano passado estava tentando trabalhar com a DJD. Pois é, não deu certo daquela vez, pois eles não tinham conseguido aprovação no Labour Market Opinion.

Sobre o LMO: é um documento emitido pelo governo canadense para o seu empregador. Ele permitirá que você seja um trabalhador estrangeiro temporário contratado remuneradamente no Canadá. Foi criado para permitir que os empregadores canadenses preencham vagas em suas empresas com trabalhadores estrangeiros, se eles não encontrarem um canadense para fazer o trabalho. O governo emite um parecer do Mercado de Trabalho positivo ou negativo para o seu empregador aproximadamente 12 semanas após a aplicação. Você, o potencial empregado, usa esse LMO para obter o seu visto. A LMO indicará as condições para trabalhar no Canadá, incluindo salários, horas e a duração de LMO.

Daí eu tentei como estudante, para fazer um intercâmbio de 3 meses com o dinheiro que tinha ganhado do MINC. Contratei despachante de visto e tudo. Mobilizei a galera de lá. Consegui responsáveis financeiros (do Canadá e daqui), mas o fato de eu não ter vínculos de emprego no Brasil e ser considerado de Baixa Renda ainda pesava demais para que a coisa desse certo, mesmo com os responsáveis financeiros.
Até aqui já estávamos no Carnaval deste ano. Depois o pessoal da Decidedly Jazz me contactou dizendo ainda estarem interessados na minha pessoa e na minha dança. Iríamos tentar novamente o processo de Work Permit.

Começamos todo o processo novamente. Envia documentos, lê (tenta com o google tradutor), assina, escaneia, envia novamente. Resolvi não fazer o alarde que fiz na vez passada. PASSAMOS NO LMO. E eu enlouquecido, não contei nem pra minha familia (só umas 3 pessoas e eram amigos próximos). Começa a fase 2: Mais documentos, exames e etc...

Já coloquei um post aqui especificamente sobre os exames médicos . Enfim, são caros, bilíngues e só podem ser feitos por uma guia de um médico com cadastro no Consulado Canadense. Eu fiz pelo método mais caro (apresentando somente o passaporte). Então foi aqui que contei tudo pra minha família (no começo de agosto).

Minha solicitação de visto completa (com exames) foi dada em 09 de agosto. O próximo passo (e ultimo) seria esperar a carta do consulado pendido meu passaporte para dar o resultado (isso significa mais dinheiro porque ou você apresenta pessoalmente na Embaixada de São Paulo, Rio do Janeiro ou Brasilia, ou envia por VAC). Todo esse processo terminou sexta feira passada com a chegada do meu passaporte na minha casa. Foram meses de espera, mas acredito que valeu a pena. E mais ainda porque não estou dentro das áreas de preferência do Canadá por trabalhadores (Engenharias, Tecnologias, Saúde...). Acho que isto pode ter, de alguma forma, alongado este processo (mas é só um devaneio).

Então, estamos nas conversas de comprar passagens pra eu debandar. A DJD começou a trabalhar no dia 25 de agosto (e eu ainda aqui Senhooooorrrrr) e o trabalho deste ano trata da dança de Josephine Baker. Estou um pouco ansioso, mas sei que vai dar certo (vai ser sal pivete!). A foto do inicio foi tirada ontem de Calgary pela diretora artística da companhia.

Bjo, me liga! 

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Exame médico

Oi negradinha do meu coração,

Então, eu ainda por aqui nas terras alencarinas. A notícia do mês é que vou ter que fazer exames médicos para constar no processo de permissão de trabalho.
Já havia lido algo sobre, mas não sabia se eu iria precisar. Pois bem, a real é sim. Qualquer pessoa que queira trabalhar (pode ser por 1 mês), estudar ou morar no Canadá terá que passar pelos exames.
Eles não podem ser feitos por qualquer médico. O profissional tem que ser credenciado e ter o diploma válido em território canadense.


Acho que ao todo são 5 exames (sangue, urina, raio x, essas coisas).

Sim, isto irá adiar um pouco mais a viagem. 

Não, eu não posso ir sem estes exames.

E o fato é que, como o pedido foi feito diretamente ao Consulado Canadense (A DJD pediu de lá mesmo e eu assinei todos os documentos aqui, escaneei e enviei), a guia de exame médico tem que vir diretamente de lá para meu email. Só após ter esta guia em mãos é que eu posso marcar os exames.

Enquanto isso, eu aqui.

Eu posso chorar?
Eu posso espernear?
Já posso enlouquecer?


A parte boa é que tem um médico aqui na Fortaleza City que tem diploma reconhecido.

Nome: Dirk Schreen
Rua: Carlos Vasconcelos, 977, Aldeota
Contato: (85) 32612926



Simbora esperar...

domingo, 10 de novembro de 2013

Calgary(ando) à distância ainda

Pois é negrada, eis o que me espera em Calgary...


Recebi esta foto recentemente da Kim, diretora artística da Decidedly Jazz, dizendo que esta imagem já se encontra disponível todos os dias do lado de fora de sua janela. Por fim ela pergunta se eu tenho certeza que quero ir...


O que vocês acham minha gente?! Mais é lógico que quero!!!!  Tou me programando desde agosto (mais intensamente, porque já estava programando desde ano passadp). Estou vivendo em função desta bendita viagem. Não sei se me adaptarei ao frio, mas prometo fazer o meu melhor...


E por enquanto eu vou aqui namorando a cidade de Calgary à distância... Costumo chamar carinhosamente de Calgary-ando.  Tentando encontrar a minha forma de habitar a cidade através das informações.

Eis o que vejo: